"Uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada."
Charles Dickens (1812 - 1870) - Escritor Inglês

sábado, 10 de março de 2018

As Barbas do Imperador, de Lilia Moritz Schwarcz

As 
Barbas 
do 
Imperador

(D. Pedro II, um
 monarca nos
 Trópicos)

Lilia Moritz Schwarcz 

Editora: Companhia das Letras 
1998 – 625 páginas



O livro é uma mistura da biografia de D. Pedro II, com ensaio sobre o Segundo Império no Brasil, suas nuances política e cultural, os ritos e rituais da corte e, sobre a história da família imperial brasileira. Através de vários documentos analisados, vasta bibliografia consultada, muita pesquisa, a autora escreveu uma obra riquíssima sobre a monarquia brasileira, desde o desembarque da família imperial, os primeiros anos de D. Pedro II, depois que perdeu a mãe dona Maria Leopoldina, seu pai, D. Pedro I voltando pra Portugal, para assumir o trono português, passando pelo período da regência, sua coroação ainda muito jovem, seu casamento com Teresa Cristina, o nascimento de seus filhos; passa pela Guerra do Paraguai, traz relatos sobre as viagens do imperador representando o Brasil em várias exposições pelo mundo, passa pela Abolição da Escravatura, realizada pela sua filha, a Princesa Isabel , quando o imperador estava viajando, até o golpe militar que o depôs e baniu a família imperial do solo brasileiro. E, esta parte final do livro é infalivelmente e excepcionalmente a melhor parte desta grande e bela biografia. D. Pedro II foi escorraçado e expulso de sua pátria que ele tanto amava e se afeiçoava. A obra é muito ampla e traz detalhes riquíssimos desta grande fase da história do Brasil, permeado por várias imagens.

Como é bom saber que D. Pedro II amava tanto sua pátria, ele era um mecenas, financiava as artes, a cultura, as ciências e ajudava vários estudantes com seu próprio dinheiro. Gostava de estudar e aprender línguas. É exultante saber que nosso Imperador dedicava-se com afinco para a formação cultural deste país. Este tem minha admiração e meu respeito. Homem humilde, fora do Brasil gostava de ser tratado apenas por Pedro de Alcântara. Foi um grande brasileiro, que talvez não tenha seu devido reconhecimento em seu próprio país, diferente de lá fora, onde ele foi muito respeitado. Nosso imperador era conhecido como D. Pedro II, o Magnânimo.

Já era fã de D. Pedro II, principalmente quando, vivendo no exílio, soube que seu desejo quando morresse era ser enterrado com um pouco da terra de sua pátria. E teve este desejo atendido. Agora posso dizer que sou fã deste grande homem e cidadão brasileiro, não só por isso é claro, mas por toda sua bondade e por ele ser um grande patrocinador das artes e cultura, afora grandes outras realizações.

O livro traz centenas de imagens, entre fotos, pinturas, gravuras e charges, o que enriquece ainda mais a obra, que é englobante e bem documentada. Leitura obrigatória para quem gosta da história do Brasil Império. Uma obra realmente abrangente, bem pesquisada e escrita...

*
Ganhei este livro de meu irmão Vinicius, que como eu, gostaria de ver novamente o Brasil ter um Imperador. Quereríamos a Monarquia Parlamentarista Constitucional, para que os brasileiros retomem seu orgulho de ser brasileiro. Sabemos que é difícil isto acontecer, mas sabemos também que este sistema seria, quem sabe, o melhor para o Brasil em tempos de corrupção em todos os níveis políticos. A república do Brasil começou através de um golpe e teve outros tantos golpes, renúncias e impeachment de presidentes. Está atualmente governado, como sempre esteve por políticos corruptos, que só querem usufruir o poder e não estão nem aí com o povo. O que começou errado não poderia nunca dar certo mesmo. Com o poder moderador do Imperador, quem sabe o Brasil entraria nos trilhos novamente. Talvez seja utopia, mas sonhar com um Brasil melhor, correto e honesto é muito engrandecedor e motivador.

*
Curiosidades:
  • D. Pedro I foi aclamado imperador em 12 de Outubro de 1822.
  • D. Pedro II nasceu no Rio de Janeiro-RJ, capital do império do Brasil em 2 de Dezembro de 1825, e faleceu em 5 de Dezembro de 1891 em Paris, na capital francesa.
  • D. Pedro II era o 5º filho de D. Pedro I e Maria Leopoldina. O único homem. Suas irmãs eram: Maria da Glória, Januária, Paula e Francisca Carolina.
  • Nome completo de D. Pedro II era: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga
  • D. Pedro II tinha a voz fina e estridente.
  • A coroação de D. Pedro II ocorreu em 18 de julho de 1841, no Rio de Janeiro.
  • D. Pedro II casou-se com Teresa Cristina Maria. Sua irmã d. Januária casou-se com o irmão de Teresa Cristina, o conde d´Áquila.
  • D. Pedro II teve 4 filhos: Isabel, Leopoldina, Pedro Afonso (que morreu com pouco mais de 1 ano) e Afonso Pedro (que morreu com pouco mais de 2 anos).
  • D. Pedro II foi um grande incentivador da cultura, das artes e da ciência.
  • D. Pedro deu em 1864 a primeira concessão para explorar petróleo.
  • D. Pedro II fez um memorável pronunciamento: "Se os políticos podem me impedir que siga como imperador, vou abdicar e seguir como voluntário da Pátria"— uma alusão aos brasileiros que se voluntariaram para ir a guerra do Paraguai e que ficaram conhecidos por toda a nação como "Voluntários da Pátria". O próprio monarca foi chamado popularmente de "Voluntário número um".

Trechos:
-“ Imperador de 1840 a 1889, d. Pedro II teve sua vida contada a partir de episódios repletos de dramaticidade e destacada com base neles. Primeiro monarca nascido no Brasil, Pedro de Alcântara foi comparado ao Menino Jesus na tradição portuguesa, revisto como Imperador do Divino na ladainha brasileira, entendido como um novo d. Sebastião pelos últimos fiéis das previsões de Vieira. Filho de Bragança, Habsburgo e parente direto dos Bourbon, d. Pedro era reconhecido como um pequeno deus europeu, cercado por mestiços. Órfão de mãe com um ano, de pai aos dez, imperador aos catorze e exilado aos 64, no seu caminho é difícil notar onde se inicia a fala mítica da memória, quando acaba o discurso político e ideológico; onde começa a história, onde fica a metáfora.” p. 21

-“ No campo político, contavam as elites locais com dois problemas fundamentais: manter a unidade política, de um lado, garantir a ordem social, de outro.8 É nesse sentido que o poder simbólico de um “rei”, acima das divergências de ordem particular, acaba se impondo como saída.” – p. 37

-“ O poder moderador é a chave de toda a organização política, e é delegado privativamente ao imperador como chefe supremo da nação e seu primeiro representante, para que, incessantemente, vele sobre a manutenção da independência, equilíbrio e harmonia dos demais poderes políticos.” – p. 47

-“ ... os jornais da época quando não se cansam de enaltecer as qualidades prodigiosas de d. Pedro: sua educação, sua inteligência, sua cultura, seu domínio de línguas mortas e vivas, além da arte da equitação e da esgrima: “[...] não soubesse o quanto o desenvolvimento intelectual desse Príncipe excede à sua idade deixando ver em tão verdes anos, tal grau de penetração e discernimento, que faria honrar a mais um estadista afeito, pela experiência e pelo estudo ao conhecimento difícil dos homens”. Não são poucos os artigos que, como estes, encobrem a pouca idade do imperador, com a exaltação de sua “maturidade precoce” e “prodigalidade intelectual”. - p. 70

-“ Em 1845 nasceria o primeiro filho do casal, d. Afonso, que não viveria muito tempo: faleceu em 11 de junho de 1846, em razão da febre amarela que contraíra. Em 1846 Teresa Cristina dá à luz uma menina, Isabel, e em 1847 nasce Leopoldina. D. Pedro Afonso, o quarto filho do casal, também morreria com um ano de idade, em 10 de janeiro de 1850, na Fazenda de Santa Cruz. Os jornais diziam que mais uma vez se abatia, sobre a família imperial brasileira, a “sina dos poucos varões da casa de Bragança”. - p 98

-“ Das confeitarias a preferida era a Carceler, que servia sorvetes em forma de pirâmide ao preço de 320 réis. Valor um tanto alto quando comparado ao de um par de botinas de couro, que custava 8 mil-réis. Mas tudo tem sua explicação. Afinal, se a pele era brasileira, já a fábrica de gelo vinha dos Estados Unidos.” – p. 107

-“... o reverendo Fletcher chegou ao país, numa missão evangélica, em 1851 e permaneceu até 1865. (...) Fletcher presenciou o que poderíamos chamar de “período áureo” do Império, quando o Brasil gozava de boa estabilidade política e econômica e era bastante popular. Não é à toa que, contaminado pelo ambiente, o religioso não poupa elogios ao monarca brasileiro, reverenciando sua “tolerância religiosa*, sua bondade para com a população”. – pp. 251 e 252

* “Não se pode esquecer que o que mais agradava a
Fletcher era que d. Pedro, apesar de ter adotado o catolicismo
como religião oficial do Império, não proibia nem impedia os cultos
protestantes no país.” – Nota p. 588

- “Com o acirramento do combate passou-se a utilizar cada vez mais a população negra na conformação do Exército brasileiro. Como condição de entrada, alforriavam-se os escravos, o que também representava um bom negócio para os senhores, indenizados ao fornecer esse tipo de “voluntário”. Não se tem uma estimativa correta da entrada de cativos e nesse sentido os autores apresentam dados diversos. Robert Conrad estima em 20 mil o número de escravos que teriam conseguido a liberdade com a guerra. Já Ricardo Salles afirma que esse contingente não teria ultrapassado 10% do conjunto da tropa. O certo é que com o desenvolvimento da guerra esse tipo de participação revela-se cada vez mais efetiva. O próprio imperador incentivava a compra de escravos:

“Forças e mais forças a Caxias”, escrevia ele em dezembro de 1866, “— apresse a medida de compra de escravos e todos os que possam aumentar o nosso exército”. Com efeito, a Casa Imperial não só libertava, nesse contexto, alguns cativos particulares, como ajudava na compra e indenização, revelando o caráter emergencial de empresa. A “mudança na coloração” do Exército do Brasil não passaria, porém, despercebida aos críticos jornais paraguaios, que passavam a chamar os soldados brasileiros de “los macaquitos”. O Cabichuí, órgão diretamente ligado a López, trouxe uma série de charges apresentando não só os soldados como macacos, mas também seus generais, o imperador e a imperatriz. Esse tipo de representação parecia só aumentar a obstinação de d. Pedro II, que, associado a macacos, tornava-se ainda mais inflexível em sua perseguição ao “caudilho López”. Este, por sua vez, reagia investindo internamente no culto à própria personalidade — por intermédio da imprensa que manipulava e censurava — e executando traidores ou os responsáveis pelas derrotas sofridas nas batalhas.” - p. 306

- “Sempre de jaquetão e à paisana, o imperador passeava pelas ruas, visitava colégios e ginásios, e presidia exames; conversava amigavelmente com visitantes estrangeiros — entre eles o ministro da França no Brasil, o conde Arthur de Gobineau —, estudava astronomia e línguas mortas, e pensava em sair do país pela primeira vez. Aos poucos consolida-se, no lugar do cenário ostensivo dos áureos tempos do imperador, um aparato diverso em que os atores à paisana fazem lembrar antes uma “democracia coroada’ do que uma realeza. Com um comportamento próximo ao de seus súditos, o monarca se afasta da imagem do ‘rei forte’ e introduz uma nova figuração cuja estranheza ganha as páginas dos jornais: ‘Um estrangeiro que passeava anteontem pela praia de Copacabana, com o fim de contemplar as baleias, nos exprimia a sua surpresa por ter visto a família real passeando rodeada pelo povo e conversando com a maior afabilidade com as pessoas de todas as classes [...] Suas majestades não eram acompanhadas por nenhum guarda e somente pelo povo [...]’” – pp. 320 e 321

- “Se até então a grande maioria das imagens do Império eram compostas de litogravuras, pinturas, esculturas e aquarelas, a partir, sobretudo, de início dos anos 60, como vimos no capítulo anterior, torna-se cada vez mais nítido o predomínio do material fotográfico. A explicação para o fato está vinculada de maneira bastante direta a d. Pedro II, que não só foi um grande incentivador dessa técnica, como se tornou, ele próprio, um fotógrafo precoce: o primeiro fotógrafo brasileiro, o primeiro soberano-fotógrafo do mundo. O pioneirismo do soberano se evidencia já quando da concessão de seu imperial patrocínio a um fotógrafo, em 8 de março de 1851. Nessa época conferiu o título de Fotógrafos da Casa Imperial a Buvelot & Prat, antecipando-se dois anos à rainha Vitória. Na verdade, d. Pedro fará da fotografia o grande instrumento de divulgação de sua imagem: moderna como queria que fosse o reino.” –p. 345

-“ No exterior, o imperador fazia questão de tirar o “dom” e assinar apenas Pedro de Alcântara, portava seu sobretudo preto e gostava de afirmar: “O imperador está no Brasil. Eu sou apenas um cidadão brasileiro” – p. 373

- “Durante o passeio na feira, ocorreu um dos episódios mais reproduzidos nas biografias do soberano. Coerentemente com sua representação moderna e ilustrada, d. Pedro percorria a feira mostrando a curiosidade que, segundo os relatos, lhe era peculiar. Foi então que encontrou Thomas Edison e depois Graham Bell, o qual apresentou a sua mais recente invenção: o telefone. Instado a dizer algo, o imperador usou sua habitual demonstração de erudição. ‘To be or not to be’, eis a frase de efeito pronunciada por nosso monarca, que, não contente, ainda afirmou que aquele aparelho ‘de fato falava’ e acrescentou:
‘Meus parabéns, Mr. Bell, quando a sua invenção for posta no mercado, o Brasil será o seu primeiro freguês’”. – p. 376

-“Em questões políticas me vi muitas vezes na obrigação de censurar o Imperador, de sublinhar o seu procedimento com críticas por vezes muito vivas; entretanto respeito o homem, como todo cidadão honrado deve respeitá-lo, porque ele é um senhor de grande coração, amigo e benfeitor de seus semelhantes, que afasta de si qualquer luxo, para minorar a miséria alheia.” – p. 412 (trecho do livro ‘Imagens do Brasil’ de Karl von Koseritz)

-“ Redigido de maneira simples, o texto da lei era curto e direto: “É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. Revogam-se as disposições em contrário”. O Treze de Maio redimiu 700 mil escravos, que representavam, a essa altura, um número pequeno no total da população, estimada em 15 milhões de pessoas. Como se vê, a libertação tardou demais, e representava o fim do último apoio da monarquia: os fazendeiros cariocas da região do Vale do Paraíba, os quais se divorciavam de seu antigo aliado. Mais uma vez, d. Pedro estava ausente no momento da promulgação da lei e deixava a tarefa e a “autoria” a Isabel, sua herdeira presuntiva.” – pp. 437 e 438

-“ Diferentemente das imagens oficiais, que circularam em jornais brasileiros, mostrando o ato solene de entrega do telegrama que declarava extinta a monarquia no Brasil, a situação
era um tanto diversa. Nos desenhos, um imperador recostado recebe a comunicação de uma junta militar, em pose altiva e ereta. Mas a agenda dos fatos era outra. De fato, até mesmo os militares pareciam recear pela continuidade do movimento.
Atitude semelhante mantinha o imperador, que logo na sua chegada ao Paço apenas teria dito: “Isso é fogo de palha, conheço meus patrícios”. Com efeito, até então, o monarca parecia fiar-se na ideia de que “as monarquias não caem facilmente”. Ainda em Petrópolis, antes de descer à corte, ao ouvir a imperatriz repetir que tudo estava perdido, o monarca teria dito:
“Qual senhora, chegando lá isso acaba!”. Mas a antiga confiança de d. Pedro estava agora abalada. No telegrama, o governo provisório comunicava a proclamação da República e dava o prazo de 24 horas à família real para que deixasse o país. Segundo os presentes, o imperador se manteve bastante sereno, e as mulheres choraram, enquanto os homens tentavam conter a emoção. Na resposta ao comunicado, o imperador brasileiro mais uma vez aderiria ao teatro e à dissimulação. Parafraseando Napoleão, que teria dito: “Abandono esse país que tanto amei”, d. Pedro perpetuaria uma frase de efeito que terminava com a afirmação:
“Este país que me é tanto afeiçoado”. Em ambos os casos, dois estrangeiros deixavam a pátria de seus súditos sem olhar para trás, altivos como convém aos imperadores, “que não carregam as mesmas emoções dos comuns mortais”. – pp. 459 a 461

-“ É na chegada a Portugal que se formaliza o banimento. Além da expulsão, o decreto de 23 de dezembro de 1889 proibia que a família imperial tivesse imóveis no país, concedendo um prazo de seis meses para a liquidação das propriedades existentes. Destinava, por fim, uma ajuda de 5 mil contos para o estabelecimento do ex-imperador no estrangeiro. No entanto, em 8 de janeiro de 1890, d. Pedro rejeitava a quantia, afirmando que “não aceitaria ou agradeceria o favor das mãos do general que tudo lhe levara”. – pp. 467 e 468

- “Para a população negra, porém, a monarquia continuava estranhamente a representar, mesmo que metaforicamente, a libertação. Tal postura pode ser reconhecida na ojeriza que Lima Barreto, o mais popular romancista do Rio, nutria pela República. Neto de escravos, Barreto assistira aos sete anos às comemorações da Abolição e às festas promovidas por ocasião do regresso do imperador de sua última viagem à Europa, ainda em 1888. Nesse sentido, não só o seu livro Triste fim de Policarpo Quaresma representa o final das utopias ingênuas, como o romancista, em suas crônicas, relata como seu pai, logo em 1890, operário da Tipografia Nacional, foi demitido sumariamente pela política republicana.” – p. 469

-“ O ex-imperador do Brasil passou o aniversário de 66 anos confinado em seu quarto, com os amigos, a filha e os netos, que não dissimulavam a preocupação. No dia 3 de dezembro chegaram os príncipes Pedro Augusto e Augusto de Saxe para as últimas despedidas. A meia-noite e meia do dia 5 de dezembro de 1891, o antigo monarca falecia e a princesa Isabel tornava-se a sucessora legal do Trono do Império do Brasil: d. Pedro morrera sem abdicar de seu cargo.” – p. 489

“-... em 1925, entrou na agenda do dia a comemoração do centenário do nascimento de d. Pedro II, o último imperador do Brasil. Mais interessante é observar, a desproporção entre o entusiasmo gerado pelas festividades em torno do natalício de d. Pedro e o pouco-caso pelo aniversário da República, que completava, então, 36 anos. Uma charge de Storni — Ecos do aniversário —, publicada no jornal ‘A Noite’ de 18 de novembro, apresentava o seguinte diálogo entre um republicano histórico (representado como um homem velho) e a República (não mais a bela jovem, mas uma matrona gorda):
“‘Viste como foste festejada este ano?’ — perguntava o republicano. ‘Festejada? Aonde?’ — queria saber a República. ‘No estrangeiro!’ — respondia o velho republicano”. – p. 507

A autora:
Lilia Katri Moritz Schwarcz é uma historiadora e antropóloga brasileira. É doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo e, atualmente, professora titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas na mesma universidade. Outros livros: 
  • O espetáculo das raças. Cientistas, instituições e pensamento racial no Brasil: 1870-1930. Companhia das Letras, 1993
  • A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis - Do terremoto de Lisboa à Independência do Brasil. Companhia das Letras, 2002.
  • Nem preto nem branco, muito pelo contrário. Claro Enigma (Companhia das Letras), 2012
  • Brasil: uma Biografia (Com Heloisa Murgel Starling). Companhia das Letras. 2015
  • Lima Barreto: Triste Visionário. Companhia das Letras, 2017
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