"Uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada."
Charles Dickens (1812 - 1870) - Escritor Inglês

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Frase para a Semana

"Problemas não são obstáculos,
mas oportunidades ímpares
superação e evolução."
Nelson Rodrigues
(Recife, 23 de agosto de 1912 — Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980)
Foi um teatrólogo, jornalista, romancista e cronista de costumes e de
 futebol brasileiro, e tido como o mais influente dramaturgo do Brasil.

sábado, 14 de outubro de 2017

5 Links - # 253 >>>

Trilha Sonora (290) - Coldplay

Viva La Vida
Coldplay
Compositores: Guy Berryman,
 Jonny Buckland, Will Champion e Chris Martin.
I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning I sleep alone
Sweep the streets I used to own

I used to roll the dice
Feel the fear in my enemy's eyes
Listen as the crowd would sing:
"Now the old king is dead!
Long live the king!"

One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt and pillars of sand

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
Once you go there was never
Never an honest word
That was when I ruled the world

It was the wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in
Shattered windows and the sound of drums
People couldn't believe what I'd become

Revolutionaries wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know Saint Peter won't call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world

I hear Jerusalem bells a ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know Saint Peter will call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

40 anos do Lendário Título Paulista de 1977 do Corinthians

Hoje 13 de Outubro, 40 anos do lendário título 
do Corinthians no Campeonato Paulista de 1977

 Um Campeonato Paulista pode não ser tão significativo como outros torneios que o Corinthians disputou e ganhou. No entanto, isso não se aplica ao Paulista de 1977: esse título tem seu lugar no coração da nação corintiana, como a mais inesquecíveis das conquistas.

O Paulista de 1977 representa o fim de um era de sofrimento, na qual o Corinthians amargou um jejum de quase 23 anos sem títulos. Naquela temporada, o Corinthians vinha do amargo vice-campeonato Brasileiro de 1976, o ano que viu a incrível Invasão Corintiana no Maracanã.

O jogo final representava uma conquista que não mais poderia ser adiada. Um grito entalado na garganta de milhões de corinthianos, sofredores, apaixonados, que precisavam ver em campo o sonhada conquista.

E assim foi feito.
Após um primeiro turno ruim, com o Botafogo de Ribeirão Preto sagrando-se campeão, o Corinthians vai para o tudo ou nada no segundo turno da competição e ganha 13 dos 18 jogos. Sendo então classificado para disputar o título do turno, que ganha após passar pelo São Paulo e Palmeiras.

Classifica-se com isso para a fase final da competição, onde 8 clubes disputavam a vaga nas finais. O Corinthians chega, e enfrentará a Ponte Preta. Três confrontos eram o que separavam o Corinthians do fim do jejum.

A primeira disputa fez com a torcida finalmente pudessem começar a sentir o alívio e alegria que viria com o titulo: o Corinthians conquistou a vitória por 1x0. Por isso, no segundo jogo, no Morumbi, os corinthianos foram em peso para comemorar aquele que seria, finalmente, o fim do jejum. O público bateu o recorde (que jamais foi superado) de 138.032 pagantes.

No entanto, pra decepção da Fiel, o dia 9 de outubro de 1977 não seria a grande data. O Corinthians perde Palhinha, contundido, e perde também a partida, de virada: 2x1 para a Ponte.

13 de outubro, dia do terceiro e último jogo. Jogo nervoso, tensão no estádio, e mais de 80 mil jogadores corintianos com os corações a mil, aguardavam o fim dos 90 minutos que mudariam pra sempre a história do Corinthians.

E nos pés de Basílio a história foi feita: 9 minutos antes do fim da partida, o gol mais esperado da história acontece. Explode o grito dos Corintianos, como explodiu o grito de Osmar Santos, quando narrava o gol:

“E que Gooooool. Coringão na frente. Olha o espetáculo, olha a emoção e a motivação. Olha a festa no Brasil. Você enche de lagrimas os olhos desse povo. Você enche de felicidade o coração desta gente. Corinthians, o grito sufocado de um povo. O grito do fundo do coração de um torcedor. Depois de vinte anos, a Fiel está explodindo. 22, 23, duas dezenas de anos na cabeça desse povo, tumultuando meu povo. O Corinthians, que, na explosão, exibe o maior espetáculo do território brasileiro. Corinthians, você acima de tudo é a alma deste povo. Você liga a imagem do sorriso e a felicidade das raízes do povo, Corinthians. Hoje a cidade é do povo. Tem que ter festa alvinegra. Tem que cobrir as ruas da cidade de paixão e loucura. Com felicidade que desabrocha e contagia o povo pelas avenidas. Hoje é o verdadeiro dia do povo. Dia de cantar a alegria e ser feliz. Dia de sair gritando com a crista alta, muito alta. Hoje mais do que nunca a cidade é do povo. Festa do povo. Basílio pro pedaço, Basílio, 37 minutos do segundo tempo. Doce mistério da vida este Corinthians. Inexplicável Corinthians. Vai buscar alegria no fundo da alma do povo.”

Minutos depois, fim de jogo, a torcida invade o campo, finca no gramado suas bandeiras, anda de joelhos, agradece, chora, paga todas as promessas feitas. Um êxtase indescritível, que durou mais de 1 hora no meio do gramado, todos iguais, uma nação de torcedores, dirigentes, torcedores, todos fiéis, todos incrédulos, todos aliviados, mas acima de tudo, todos muito muito felizes.

A comemoração se estende às ruas da cidade. Os Corintianos invadem bares, restaurantes, espalham-se pelo Parque São Jorge, pelo Centro, pelo Bixiga. Lá pelas tantas, se encontra na rua Vicente Matheus, rouco, extasiado, com um sapato preto outro branco, vivenciado a felicidade intangível que havia lá.

Anos depois, Basílio ainda nos conta como foi o gol, e explica o sentimento daquele dia:

“O lance saiu de uma bola parada e eu, depois do bate-rebate, fiz o gol de direita e corri para a galera. Após o jogo, queríamos dar a volta olímpica, mas foi impossível. Pouco importa. O que valeu mesmo foi a festa e o fim do jejum.”

(º> Via: MEU TIMÃO >>>

Ficha técnica
CORINTHIANS: Tobias, Zé Maria, Moisés, Ademir e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano; Vaguinho, Geraldão e Romeu. Téc.: Oswaldo Brandão

PONTE PRETA: Carlos, Jair, Oscar, Polozi e Ângelo; Wanderlei, Marco Aurélio e Dicá; Lúcio, Rui Rei e Tuta (Parraga). Téc.: José Duarte

Local: Estádio do Morumbi - São Paulo (SP)
Data: 13/10/1977
Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschillia
Público: 86.677
Gol: Basílio (36 - 2º)


Este ano, o Corinthians foi campeão novamente em cima da Ponte Preta, conquistando seu 28.º título na competição...

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Sutilezas Literárias # 060 - Laurentino Gomes

(...)
A montaria usada por D. Pedro nem de longe lembrava o fogoso alazão que, meio século mais tarde, o pintor Pedro Américo colocaria no quadro “Independência ou Morte”, também chamado de “O Grito d Ipiranga”, a mais conhecida cena do acontecimento. O coronel Marcondes se refere ao animal como uma “baia gateada”. Outra testemunha, o padre mineiro Belchior Pinheiro de Oliveira, cita uma “bela besta baia”.
Em outras palavras, uma mula sem nenhum charme, porém forte e confiável. Era esta a forma correta e segura de subir a serra do Mar naquela época de caminhos íngremes, enlameados e esburacados. Foi, portanto, como um simples tropeiro, coberto pela lama e a poeira do caminho, às voltas com as dificuldades naturais do corpo e de seu tempo, que D. Pedro proclamou a Independência do Brasil. A cena real é bucólica e prosaica, mais brasileira e menos épica do que a retratada no quadro de Pedro Américo. E, ainda assim, importantíssima. Ela marca o início da história do Brasil como nação independente.

O dia 7 de setembro amanheceu claro e luminoso nos arredores de São Paulo. O litoral paulista, porém, estava frio, úmido e tomado pelo nevoeiro. Faltava ainda uma hora para o nascer do sol quando D. Pedro saiu de Santos, cidadezinha de 4.781 habitantes, onde passara o dia anterior inspecionando as seis fortalezas que guarneciam as entradas pelo mar e visitando a família do ministro José Bonifácio de Andrada e Silva. Sua comitiva era relativamente modesta para a importância da jornada que iria empreender. Além da guarda de honra, organizada nos dias anteriores de forma improvisada nas cidades do vale do Paraíba, enquanto viajava do Rio de Janeiro para São Paulo, acompanhavam D. Pedro o coronel Marcondes, o padre Belchior, o secretário itinerante Luís Saldanha da Gama, futuro marquês de Taubaté, o ajudante Francisco Gomes da Silva e os criados particulares João Carlota e João Carvalho.

Eram todos muito jovens, a começar pelo próprio D. Pedro, que completaria 24 anos um mês depois, no dia 12 de outubro. Padre Belchior, com a mesma idade, nascido em Diamantina, era vigário da cidade mineira de Pitangui, maçom e sobrinho de José Bonifácio. Virou testemunha do Grito do Ipiranga por acaso. Eleito deputado por Minas Gerais para as cortes constituintes portuguesas, convocadas no ano anterior, deveria estar em Lisboa participando dos debates. A delegação mineira, porém, foi a única a permanecer no Brasil em virtude das divergências internas e da incerteza a respeito do que se passava em Portugal. Saldanha da Gama, de 21 anos, era, além de secretário itinerante, camareiro e estribeiro mor do príncipe. Tinha o privilégio de ajudá-lo a se vestir e a montar a cavalo. Com 29 anos, Francisco Gomes da Silva, também chamado de “O Chalaça” — palavra que significa zombeteiro, gozador ou piadista —, acumulava as funções de “amigo, secretário, recadista e alcoviteiro” de D. Pedro, segundo o historiador Octávio Tarquínio de Sousa.

Ou seja, era um faz-tudo, encarregado de arranjar mulheres para o príncipe, proteger seus negócios e segredos pessoais e defendê-lo em qualquer circunstância, por mais difícil e escusa que fosse. Marcondes, o mais velho de todos, tinha 42 anos. Nas primeiras duas horas, ainda sob a luz difusa do amanhecer, a comitiva percorreu de barco os canais e rios de água escura dos manguezais entre Santos e o porto fluvial de Cubatão, vilarejo com menos de duzentos habitantes ao pé da serra do Mar. Nesse local, D. Pedro encontrou os animais selados e o restante da guarda que o acompanharia até São Paulo. A subida da serra, porém, teve de ser retardada.

Prostrado pelos problemas intestinais, o príncipe refugiou-se na modesta estalagem situada à beira do porto. Maria do Couto, responsável pelo estabelecimento, preparou-lhe um chá de folha de goiabeira, remédio ancestral usado no Brasil contra diarreia. (...)

Laurentino Gomes, em "1822" - Editora Nova Fronteira.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Cena de Cinema # 291 - Madagascar 2

(Madagascar 2: A Grande Escapada - 2008) +

Imagens da Vez: Fotos do Santuário Nacional de Aparecida

Fotografias do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição
 Aparecida, localizado em Aparecida, interior do Estado de São Paulo.
Vista panorâmica
* * *
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↣ (1717 - 2017) 

 Jubileu de 300 anos
de Nossa Senhora Aparecida










Tirei estas fotos entre 1.° e 3 de Fevereiro de 2014,
quando lá estive. Posso dizer e afirmar que é um
 lugar abençoado, pois senti uma paz sem igual.
E olha que nem sou tão religioso e nem devoto...

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Frase para a Semana

“Uma pessoa inteligente
 resolve um problema, 
um sábio o previne.”
Albert Einstein
 (Ulm - ALE, 14 de março de 1879 - Princeton - EUA, 18 de abril de 1955) 
Foi um físico teórico alemão. Entre seus principais trabalhos
 desenvolveu a teoria da relatividade geral, ao lado da
mecânica quântica um dos dois pilares da física moderna.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Poesia a Qualquer Hora (296) - Lêdo Ivo

Primeira Lição

Na escola primária 
Ivo viu a uva 
e aprendeu a ler. 

Ao ficar rapaz 
Ivo viu a Eva 
e aprendeu a amar. 

E sendo homem feito 
Ivo viu o mundo 
seus comes e bebes. 

Um dia num muro 
Ivo soletrou 
a lição da plebe. 

E aprendeu a ver. 
Ivo viu a ave? 
Ivo viu o ovo? 

Na nova cartilha 
Ivo viu a greve 
Ivo viu o povo. 

Lêdo Ivo

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O japonês Kazuo Ishiguro é vencedor do Nobel de Literatura de 2017

O escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro, de 62 anos, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2017. A escolha foi anunciada hoje, quinta-feira (5) em um evento em Estocolmo, na Suécia. Considerado um dos mais importantes autores vivos da língua inglesa, mas não favorito ao Nobel, ele vai receber 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,5 milhões).

Nascido em Nagasaki, no Japão, em 1954, Ishiguro mudou-se para a Inglaterra aos cinco anos de idade, onde vive até hoje. Autor de oito livros (sete romances e um volume de contos), ele escreve em inglês.

São de Ishiguro "Os vestígios do dia" (1989), que ganhou o Man Booker Prize, e a ficção científica "Não me abandone jamais" (2005), ambos adaptados ao cinema.

Ambos foram editados no Brasil pela Companhia das Letras, que também publicou "Quando éramos órfãos" (2000) e "O gigante enterrado" (2015), além da seleção de contos de "Noturnos: Histórias de música e anoitecer" (2009).

À BBC, Ishiguro afirmou: "O mundo está em um momento muito incerto, e eu gostaria que o Prêmio Nobel desse impulso a algo positivo no planeta neste momento. Ficaria profundamente emocionado se eu, pudesse, de alguma forma, contribuir em algum nível com uma atmosfera positiva nestes tempos de incerteza".

Na entrevista à rede britânica, o escritor admitiu que ainda não tinha sido contado pelo comitê do Nobel e que não tinha certeza se tudo não passava de uma farsa. Ele disse que ganhar o Prêmio Nobel é "uma honra magnífica, principalmente porque isso significa que estou seguindo as pegadas dos maiores autores que já viveram, então é uma conquista excelente".

A Academia Sueca, responsável pelo Nobel, informou em comunicado que Ishiguro recebeu o prêmio porque "em seus romances de grande força emocional, revelou o abismo sob nossa sensação ilusória de conexão com o mundo".

(º> Via: G1 >>>

Os 11 últimos vencedores do Nobel de Literatura:
2017: Kazuo Ishiguro (Japão)
2016 : Bob Dylan (Estados Unidos)
2015: Svetlana Alexievitch (Bielorrússia)
2014: Patrick Modiano (França)
2013: Alice Munro (Canadá)
2012: Mo Yan (China)
2011: Tomas Tranströmer (Suécia)
2010: Mario Vargas Llosa (Peru)
2009: Herta Müller (Romênia)
2008: Jean-Marie Gustave Le Clézio (França)
2007: Doris Lessing (Reino Unido)

Pecar e Perdoar - Deus e o Homem na História

Pecar e Perdoar –
Deus e o Homem 
na História

Leandro Karnal

Editora: Harper Collins

204 páginas

“Errar é humano.” Essa afirmativa tão comum encerra uma verdade mais profunda que muitas vezes se perde no clichê: o pecado e o perdão são duas faces da mesma moeda — sem um não pode haver o outro. É exatamente dessa duplicidade que o historiador Leandro Karnal trata em Pecar e perdoar — Deus e o homem na história. Com uma análise focada nas experiências tão intrinsecamente humanas do desvio da norma e do restabelecimento da confiança, Karnal mostra como a sociedade moderna ainda utiliza essas noções baseadas na religiosidade judaico-cristã, e como, apesar de suas origens tão antigas, tais conceitos seguem cada vez mais atuais. [Texto da conta capa] 
*
Do pecado original aos pecados contemporâneos, Karnal destrincha o assunto neste ótimo livro. Pecar e Perdoar - Deus e o Homem na História, em um texto leve, lúcido e instigante, nos leva a refletir sobre os pecados e o perdão. Karnal fala no decorrer do livro dos pecados capitais, em especial a inveja, e principalmente sobre o orgulho, que ele considera o pai de todos os pecados. Fala também sobre alguns personagens envolvidos com a religião. E através de passagens bíblicas, desde o Livro do Gênesis até ao Apocalipse, o autor, nos explica teológica e filosoficamente, mas de fácil compreensão, sobre os ditames do pecar e do perdoar e delineia sobre a moral, a ética e os preceitos religiosos que formam a base da tradicional família cristã. E, é impressionante, como Karnal não sendo religioso, ele entende muito mais da bíblia e dos dogmas religiosos, que os ditos religiosos. Com isso ele traz um texto coeso, imparcial e tocante sobre estes temas. Ele ainda cita livros, - em especial “A Divina Comédia” -, obras de arte e reflete também sobre outras religiões, estes mesmos temas que envolve o Deus e o Homem na história da humanidade, tudo com uma desenvoltura que lhe é peculiar.

Karnal é figura fácil hoje em dia. Publica livros, escreve em jornais, em revistas, mas, é na internet, nas redes sociais, mas precisamente no Youtube, onde há várias palestras dele pelo Brasil afora, tratando de vários temas com uma visão equilibrada e com uma erudição ímpar.

Karnal fala de coisas que queremos ouvir, ou pelo menos o que quero ouvir, refletir e entender.

Trechos:
_ “...se o mundo for criado só com misericórdia, haverá muitos pecadores; se for criado exclusivamente com justiça, ninguém poderá subsistir. Assim, o mundo é elaborado com misericórdia e justiça. Em outras palavras: se Deus for muito compreensivo com sua criação, cada um fará o que bem entende e se distanciará do Criador; se for exclusivamente justo, ou seja, punir quem erra de acordo com a Lei, quem poderia sobreviver ao rigor do olhar divino?...” – p. 18

- “A regra é a mãe do infrator. Talvez isso explique que a justiça de Deus ande de mãos dadas com sua misericórdia.” - p. 20

- “Cometi o pior dos pecados que um homem pode cometer. Não fui feliz.” - Jorge Luis Borges - citado à p. 43

- “Um alienígena que olhasse à distância estelar o desenvolvimento dos Cristianismos, diria que eles são um fracasso em relação à síntese que Jesus deu para os mandamentos. Amar ao próximo como a si mesmo? A Inquisição católica, a carta de Lutero recomendando matar os judeus, os calvinistas enforcando supostos feiticeiros em Salem: a história cristã é, basicamente, uma história de crimes. Acima de tudo, é uma história institucional de negação da solidariedade e da compaixão. O alienígena teria apoio amplo entre ateus e antirreligiosos deste planeta.” – p. 50

-“... a Igreja Católica criou uma palavra mnemônica, ou seja, uma palavra que ajuda a recordar. A palavra é SALIGIA. As letras partem dos pecados em latim. O S é de superbia (soberba, orgulho); o A, de avaritia (avareza); o L, de luxuria; o I, de invidia (inveja); o G, de gula; o I, de ira; e o A, de acedia (a já citada acédia ou preguiça). Também foi comum representar essa lista com animais: um sapo para a avareza; cobra para inveja; leão para ira; caracol para a preguiça; porco para a gula; cabra para a luxúria e um pavão para o orgulho. Sete pecados, sete animais e uma palavra para a arte mnemônica: SALIGIA.” – p. 53

- “Em geral, quando somos mais jovens, somos ou mais otimistas ou mais cegos na crença da nossa invulnerabilidade. O envelhecimento nos torna mais covardes.
Temos mais medo dos riscos e da dor causada por ações perigosas. Esse medo, geralmente, é chamado de virtude.” – p. 55

- “...a inveja é envergonhada: invejar é reconhecer-se inferior, ser menos do que alguém. O invejoso tem uma dor profunda, que é o limite da sua capacidade, ou do que ele imagina que seja sua capacidade.” - p. 68

- “ A virtude não iria tão longe se a vaidade não lhe fizesse companhia”.
La François de La Rochefoucauld -  citado à p. 80

- “Existi “999 professores de virtude para cada pessoa virtuosa”. -p. 80

-“ Há mais amuletos contra a inveja do que contra o estupro ou o roubo. A inveja seria mais
grave? Talvez a resposta esteja na estrutura da inveja. Como já visto, ninguém é invejoso, ou, ao menos, ninguém se considera invejoso.” –p. 83

- “A religião pode consagrar os limitados. O empreendedorismo, não.” – p. 169

-“Mas a oração pode ser de agradecimento. Nesse caso, a consciência também existe. Eu tomo consciência das graças alcançadas e digo obrigado. Essa é a função do obrigado: eu reconheço que recebi um benefício, um presente. A oração pode ser de expiação, de meditação sobre o pecado, de dor pelo erro cometido. Mais do que nunca, ela se torna um exercício de consciência. Pequei; errei contra Deus e contra meu irmão; sinto-me mal pelo que fiz, disse ou deixei da fazer; tentarei não fazer de novo. É um exame de consciência com incenso, psicanálise de joelhos, e não no divã. O resultado dessa consciência é tão incerto quanto a psicanálise, mas tem uma pequena vantagem: a prece é mais econômica.” -p. 192

-“Deus não será maior se o respeitas, mas tu serás maior se o servires.” – Agostinho de Hipona - citado à p. 193

No final do livro, Karnal recomenda 7 filmes:
“Como vivemos em um mundo de imagens, também vou recomendar alguns filmes. Eles ajudarão a aprofundar temas e despertar novas perguntas. É uma lista subjetiva que pode ser aumentada ao infinito. Nem todos são obras-primas, mas todos fazem pensar.”

1. Homens e deuses (2010) é história de monges trapistas que foram mortos em circunstâncias misteriosas na Argélia, em 1996. Fala de violência, coragem, perdão e fé.

2. A chave de Sarah (2010) é um filme sobre uma vítima do holocausto, Sarah Starzynski, que carrega uma imensa culpa pela morte do irmão. Sua história é resgatada pela jornalista Julia Jarmond. O filme tem um aspecto pouco trabalhado: nossa eventual incapacidade de superar a culpa ou a dor.

3. As aventuras de Pi (2012), citado no livro. É uma história metafórica sobre a opção de crer em Deus. Filme bonito, mais bonito do que denso, mas que vale a pena.

4. O sétimo selo (1957) é uma obra-prima de Bergman e fala de todos os eixos essenciais tratados neste livro: morte, perdão, pecado, humanidade. Filme indispensável sobre o humano e sua insuficiência.

5. A separação (2011) discute um problema conjugal no Irã e os dilemas de uma mulher que deve cuidar do pai. Filme interessante para discutir opções e religião.

6. O gato do rabino (2011) é uma animação divertida sobre um gato que recebe o dom de falar e quer se converter ao Judaísmo, não sem antes questionar a fé.

7. Alexandria (2009) é um filme espanhol que conta a história de Hipácia, matemática e filósofa do quarto século que foi perseguida e morta por cristãos. Discute a relação entre ciência e fé e agrada muito aos críticos da religião.

“Temos que pedir perdão e conceder o perdão. 
É de Sábio fazer isto.”

*
Em latim, uma frase forte: “Cave Cave Deus Videt”
em tradução livre, “Cuidado, cuidado, Deus vê”. – p. 164
*
O Autor: 
Leandro Karnal (1963) é gaúcho de São Leopoldo-RS. Historiador e professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Formado em história pela Universidade Vale do Rio dos sinos e doutor em história social pela Universidade de São Paul, ele já trabalhou como curador de exposições e museus. Autor de diversas publicações na área e de artigos em jornais e revistas de circulação nacional. Autor também de: "História dos Estados Unidos", "Conversas com um Jovem Professor", "Detração, A - Breve Ensaio Sobre o Maldizer" e "Todos Contra Todos: o Ódio Nosso de Cada Dia".

Fica a Dica!

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Danilo Gentili Entrevista o Príncipe Imperial Dom Bertrand

Frase para a Semana

"A política é a arte de procurar
problemas, encontrá-los em
todos os lados, diagnosticá-los incorretamente e aplicar 
as piores soluções."
Groucho Marx
Groucho Marx, é o pseudônimo de Julius Henry Marx 
(Nova Iorque, 2 de outubro de 1890 – 19 de agosto de 1977), 
foi um comediante e ator estadunidense, célebre como um dos
 mestres do humor.Fez treze filmes com seus irmãos, os Irmãos Marx,
 dos quais foi o terceiro por ordem de nascimento.